o oráculo de Dodona

  

Alguns santuários adquiriram grande renome graças a um serviço especial prestado pela divindade local aos seus fiéis: a transmissão de conselhos e predições. A esses locais os gregos davam o nome de μαντεον e os romanos, de oraculum. A resposta divina, quase sempre enigmática, era transmitida aos fiéis por meio de sinais ou através de uma espécie de transe que acometia um sacerdote, e requeria interpretação.

 

O oráculo de Zeus em Dodona

Segundo a tradição, o mais antigo dos oráculos gregos situava-se em Dodona (gr. Δωδώνη), no Épiro, a 22 km de distância da atual cidade de Ioanina. Os primeiros vestígios atribuíveis à atividade oracular remontam, no entanto, somente ao século -VIII. Em épocas remotas parece ter existido no local um santuário dedicado a Gaia, ali também conhecida por Dione, relegada a segundo plano bem antes do início do Período Arcaico, época de Homero e de Hesíodo.

O oráculo consistia, inicialmente, de um carvalho sagrado, possivelmente rodeado de trípodes de bronze; somente no fim do século -V foi erguido o primeiro templo de pedra dedicado a Zeus. No século -IV e no Período Helenístico foram acrescentados outros templos, um bouleuterion, um pritaneion (onde viviam os sacerdotes), uma acrópole, um estádio e um teatro de 18.000 lugares, seguramente um dos maiores da Grécia.

 

Disse-me que ele foi a Dodona para do divino
e imponente carvalho ouvir a vontade de Zeus,

Odisséia, Od. 19.296-7

 

 

As perguntas ao oráculo, pelo menos no século -VI, eram geralmente submetidas por particulares em placas de chumbo; as respostas dependiam, basicamente, do som emitido pelas folhas do carvalho, agitadas pelo vento, e pelo ruído das aves que ali faziam ninho. A vontade do deus, é claro, era interpretada pelos sacerdotes locais, os selloi (gr. σελλοί). No século -V, segundo Heródoto, o santuário foi administrado por três sacerdotisas.

A Ilíada contém a mais antiga referência literária ao oráculo e aos sacerdotes (Il. 2.749-50 e 16.231-5), mas é na Odisséia que encontramos uma menção direta às consultas oraculares (ao lado).

Pirro (-319/-272), rei do Épiro, instituiu jogos atléticos, competições dramáticas e musicais a cada quatro anos, no local, em honra a Zeus Naios. A partir do fim do século -III o santuário foi arrasado pelo menos duas vezes (etólios, -219; romanos, -168), mas continuou atraindo peregrinos até 391, quando cristãos fanáticos cortaram o carvalho sagrado.

O ORÁCULOS DOS MORTOS EM ÉFIRA

 O ORÁCULOS DOS MORTOS EM ÉFIRA

A  busca de informações junto a pessoas mortas era um costume muito antigo, já documentado na passagem da Odisséia em que o espírito do falecido adivinho Tirésias é evocado mediante elaborado ritual (Od. 11.20-50).

 

Os “oráculos dos mortos” ficavam, em geral, em locais longínqüos e de difícil acesso, por onde era possível entrar no mundo dos mortos; na Grécia Antiga, o mais célebre de todos era o necromanteion (gr. νεκυομαντήιον) de Éfira, na Tesprótia, uma região do Épiro. O necromanteion situava-se perto de dois rios, Aqueronte e Cocito, nomeados de acordo com os míticos rios do mundo subterrâneo, e de certa forma era um santuário dedicado a Hades e Perséfone.

 

 

Ele enviou mensageiros

 à terra dos Tesprotos,

ao Oráculo dos Mortos

no Rio Aqueronte.

Heródoto, Hdt. 5.92

Na literatura, Heródoto (-484/-425) foi o primeiro a mencionar o oráculo (ver epígrafe). Os mais antigos vestígios do necromanteion são posteriores a Heródoto e datam de -400, mais ou menos; é possível, no entanto, que essa construção destruído as partes mais antigas do sítio, que remontam ao Período Micênico. Hoje, praticamente todas as edificações que restaram foram erguidas durante o Período Helenístico, época de máximo esplendor do santuário.

A parte central do santuário consistia em uma imponente edificação quadrada com sólidas paredes de pedra de 3,5 metros de altura e 22 metros de largura. Havia um cômodo central, duas alas laterais, cada uma delas com três cômodos e, abaixo da sala central, uma cripta subterrânea — talvez a antiga caverna onde pode ter se originado o culto. O interior do edifício, verdadeiramente labiríntico, devia mesmo se parecer com a entrada do mundo subterrâneo. Além do mais, o acesso se dava através de corredores fechados por três imponentes portões — os portões do Hades

Acorriam, de toda a Grécia, visitantes que procuravam entrar em contato com os mortos. Acredita-se que, após uma longa preparação com alimentos especiais, rituais, invocações, meditação e isolamento nos corredores escuros do santuário, o consulente tinha freqüentemente visões (ou alucinações) que o induziam a acreditar ter visto ou ouvido alguém que já morrera. Não é impossível, também, que os sacerdotes empregassem algum tipo de mistificação baseada nos conhecimento que adquiriam da vida das pessoas que procuravam o oráculo.

O necromanteion foi incendiado e destruído pelos romanos em -167 e logo abandonado.

 

Trecho de conversa …

 

Thiago Oliveira {Koûro diz:

estive pensando numa coisa…

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

o q?

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Se tratando do mito de nascimento de Atená, é impossível que Efesto seja filho de Zeus e Hera

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

é

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Nesse caso, ele só pode ser o filho de Cronos, dado que foi ele quem abriu a cabeça de Zeus pra que Ela nascesse

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

mas a mitologia grega é cheia de contradições tbm, como qualquer outra religião

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Daí , pode-se interpretar que a habilidade é fruto do tempo.

Thiago Oliveira {Koûro diz:

A questão é: Quem seria a mãe ?

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

mas Cronos não tem nada a ver com o tempo

Thiago Oliveira {Koûro diz:

vamos dizer que nesse caso ele seja uma confuguração daquilo que se pode dizer tempo

Thiago Oliveira {Koûro diz:

mas eu entendo seu real significado

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

Cronos, o titã, não tem relação com o tempo. Algumas versões da mitologia grega possui um deus Chronos, q era a personificação do tempo, mas era um deus bem mais antigo, mais do q Gaia

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

Κρόνος – Cronos

Χρόνος – Tempo

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

Hefesto era filho de Hera simplesmente. Ele não tinha pai

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

Zeus e Hera só tiveram 3 filhos juntos: Ares, Hebe e Eileithya

Thiago Oliveira {Koûro diz:

no Orfismo Cronos é anterior à Géia

Thiago Oliveira {Koûro diz:

no culto, associa-se Ele mais à colheita dos grãos

Thiago Oliveira {Koûro diz:

e ao tempo de amadurecimento dos alimentos e por aí vai

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

Cronos era um deus da agricultura

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Nãoo tempo cronológico,mas o tempo agrícola

Thiago Oliveira {Koûro diz:

[por isso ele tem a ceifadeira]

Thiago Oliveira {Koûro diz:

[caso contrário teria uma ampulheita ou coisas do gênero]

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

como eu já disse, Cronos não tem nada a ver com o tempo!

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Se não me engano, a Teogonia diz que Zeus era pai dele

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

o Cronos da agricultura é uma coisa, não tem nada a ver com o tempo Chronos

Thiago Oliveira {Koûro diz:

deixa eu ver aqui…

Thiago Oliveira {Koûro diz:

“Zeus era pai dEle [Efesto]“

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

existem mil versões de quem é pai de quem na mitologia grega

Thiago Oliveira {Koûro diz:

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKk

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Pra você ver como a mitologia é coerente com a realidade

Thiago Oliveira {Koûro diz:

=)

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Hoje em dia é a mesma coisa…

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

isso pq acada povo interpretava as relações dos deuses da forma como era melhor pra eles

Thiago Oliveira {Koûro diz:

todo mundo tem um monte de pai e , às vezes, um monte de mão tb

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

as religiões sempre são criadas da forma q melhor convém aos povos q as usam

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Eu penso que não é só isso

Thiago Oliveira {Koûro diz:

tem de se levar em conta duas outras coisas

Thiago Oliveira {Koûro diz:

1- Os mitos eram contados de formas diferentes em pólis diferente

Thiago Oliveira {Koûro diz:

2- O mito, como unidade simbólica, pode ser contado de formas distintas para conceitos distintos. Como diz o Platão de Afrodite Urânia e Afrodite Pandemos.

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

sim, tanto q basicamente todas as religiões do mediterraneo e arredores tem uma provável origem em comum: grega, egípcia, suméria, judaica

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Se não me engano

Thiago Oliveira {Koûro diz:

todas esses povos têm como raíz comum os povos primitivos que habitavam a parte central da Ásia e que posteriormente migraram

Thiago Oliveira {Koûro diz:

não lembro bem se é no centro asiático…

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

Hércules = Jesus

Eva = Hebe

Hécate = Heket

Afrodite = Ishtar

Ló = Orfeu

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

Eva tbm tem relação com Pandora, como é bem claro

Thiago Oliveira {Koûro diz:

quem é Ló ??

Thiago Oliveira {Koûro diz:

o cara de Sodoma e Gomorra ?

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

é

Thiago Oliveira {Koûro diz:

ou o da sisma ?

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

q a mulher virou sal

Thiago Oliveira {Koûro diz:

ah…

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

as duas histórias, de orfeu e de ló, tem em comum:

-fugir de um lugar ruim (sodoma e gomorra -> hades)

-não olhar pra trás

-perder a esposa

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Pra mim, um dos mitos olimpianos mais bonitos é o do “casamento” de Efesto e Cháris

Thiago Oliveira {Koûro diz:

=)

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Eu penso que todas as histórias se repetem, mudando apenas os personagens

Thiago Oliveira {Koûro diz:

quase todas as mitologias têm um dilúvio

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

Hércules e Jesus

-filhos do deus pai com uma mortal

- o número 12 (12 trabalhos, 12 apóstolos)

- morrer e ressucitar pra ir ficar ao lado do pai (no Olimpo ou no Céu)

Thiago Oliveira {Koûro diz:

quase todas as mitilogiasa têm um “hérois, hemitheoi, avatar,arauto” {Jesus, Héracles, krishna…}

Thiago Oliveira {Koûro diz:

putz!

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Essa concordância foi foda!

Thiago Oliveira {Koûro diz:

deixa eu refazer

Thiago Oliveira {Koûro diz:

quase todas as mitilogias têm um “héroi, hemitheoi, avatar,arauto” {Jesus, Héracles, krishna…}

Thiago Oliveira {Koûro diz:

agora sim..

Thiago Oliveira {Koûro diz:

hehehe

Thiago Oliveira {Koûro diz:

foi ofensivo e brutal !

Thiago Oliveira {Koûro diz:

[achei uma versão da Teogonia que parece ser melhor que a minha]

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

acho q todas as religiões indo-européias (grega, romana, celta, nórdica, hindu) devem ter uma religião ancestral comum, mas foram mais tarde (aquelas de perto do mediterrâneo, grega em especial) influenciadas por religiões semíticas, como a egípcia, judaica e suméria

Thiago Oliveira {Koûro diz:

bem..

Thiago Oliveira {Koûro diz:

não sei quanto às demais, mas a religião grega primitiva, assim como a romana têm uma primitividade comum, apesar da formação diferente

Thiago Oliveira {Koûro diz:

além de quê, os mitos que fazem a religão são mais antigos que a formação das pólis ou cúrias.

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Na Grécia tinha-se o culto aos antepassados e o fogo doméstico

Thiago Oliveira {Koûro diz:

que posteriormente se transformaram nos heróis (alguns epônimos) e a Tradição, na figura de Héstia

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

Odin – Zeus – Júpiter – Javé

Thor – Héracles – Hércules – Jesus

- – Tríade Capitolina – Trindade – Trimurti

Freya – Vênus – Afrodite

Thiago Oliveira {Koûro diz:

e com a junção das famílias e a formação da Cúria começou a conceber-se à cidade o culto de mais de um deus, ou seja, um culto público além do culto doméstico. Daí surgem os deuses do politeísmo que têm sua síntese nos ciclos e atividades da Natureza.

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Como seria uma trindade feminina cristã ??

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

a Mãe, a Filha e a Alma Santa

Thiago Oliveira {Koûro diz:

quem é a Filha ?

Thiago Oliveira {Koûro diz:

precisamos de nomes! KKKKKKKKK

Thiago Oliveira {Koûro diz:

mas os cristãos não têm nomes… apenas formas para suas cores

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

isso poderia estar associado com as deusas de 3 faces, como Hécate ou a deusa Wicca

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

q representam as 3 fases da mulher

Thiago Oliveira {Koûro diz:

eu estava empurrando nesse sentido, mas não consigo conceber uma coisa tão… meio termo

Keo – “Ele nunca quis acreditar. Ele quis [i]saber[/i]!” – Ann Druyan diz:

a Donzela, a Senhora e a Anciã

Thiago Oliveira {Koûro diz:

ao que parecem os nomes sõa formas pra agradar a todos, sem se envolver

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Eu distinguo uma diferença no relacionamento do Homem com os deuses e das mulheres com Estes

Thiago Oliveira {Koûro diz:

os homens refletem em si quatro situações de vida, de acordo com os deuses que estão em si: menino, paim, guerreiro e rei. A mulher tem em si três momentos da vida refletidos nas deusas: Partenos, Nymphe e Gyne

Thiago Oliveira {Koûro diz:

que a “W.” sintetiza em Donzela, Mãe e Anciã

Thiago Oliveira {Koûro diz:

mas que num contexto social e familiar não cabe

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Se quisermos um contexto como tal , pode-se dizer de Koré-Deméter-Hékate

Thiago Oliveira {Koûro diz:

Parthenos*

Thiago Oliveira {Koûro diz:

[Conclusão sobre Efesto: tudo aponta para o tempo, como responsável pelo amadurecimento da habilidade]

 

X

Se todas as tuas noites fossem minhas
Eu te daria, Dionísio, a cada dia
Uma pequena caixa de palavras
Coisa que me foi dada, sigilosa

E com a dádiva nas mãos tu poderias
Compor incendiado a tua canção
E fazer de mim mesma, melodia.

Se todos os teus dias fossem meus
Eu te daria, Dionísio, a cada noite
O meu tempo lunar, transfigurado e rubro
E agudo se faria o gozo teu.

- Hilda Hilst

O Vinho e a tradição

 

A receita que seguirá agora é bem simples, porém repleta de significados, afeto e magia que dependerão de quem a fará e quem partilhará dela. Seu objetivo é servir um pouco do amor e demais sentimentos que se deseje exprimir a quem beberá com você. É antes de tudo um gesto de retribuição pelo amor e carinho dispensado a nós. Todos podem fazê-la mesmo aqueles que não têm muita prática na cozinha , desde que estejam dispostos a dividirem com os outros o que têm de melhor: o calor humano.
O VINHO DE HÉSTIA

Para fazer o vinho será preciso os seguintes ingredientes:
• Vinho (eu costumo usar os vinhos secos, mas pode ser qualquer vinho que você tenha, ou goste);
• Cravos;
• Canela (pode-se usar em pó, mas é preferível uma vareta por ser mais simples removê-la);
• Erva-doce;
• E demais ervas aromáticas que você desejar;

Antes de começar a preparar o vinho tente criar uma atmosfera que seja propícia ao seu desejo; reduza a quantidade de luzes, acenda um incenso (olíbano é sempre bom), ponha uma música que te faça sentir confortável, relaxado. Tudo isso é para criar um ar mais acolhedor e, evidentemente, pode ser modificado de modo que você possa utilizar o que tem em casa. Tome banho e vista roupas limpas (se possível brancas, esta é a cor da deusa). Acenda uma vela branca e eleve um hino à deusa. O Hino XXIV, de Homero é uma boa escolha:

“Héstia, tu que cuidas da sagrada casa do Senhor Apolo,
O que atira longe ao bondoso Pytho,
Com suave óleo escorrendo sempre de tuas madeixas,
Venha agora a esta casa, venha,
Tendo uma só mente com o Zeus onisciente
Venha para perto,
E, sobretudo conceda suas graças sobre a minha canção.”

Após isso faça uma prece à Dyonisio [principalmente à Dyonisio Charidotes , fazendo-lhe referência, em uma prece pessoal]

“Começo a cantar ao Dionísio coroado de hera, o deus do alto grito, esplêndido filho de Zeus e da gloriosa Semele. As ninfas de longos cabelos o receberam em seus âmagos do senhor seu pai e o criaram e o nutriram cuidadosamente no pequeno vale isolado de Nysa, onde pelo desejo de seu pai ele cresceu em uma caverna de doce aroma, sendo considerado e estimado entre os imortais. Mas quando as deusas os trouxeram para cima, um deus freqüentemente homenageado, então ele começou a perambular continuamente entre as os vales cobertos de árvores, densamente coroado de hera e louro. E as Ninfas seguiram atrás dele com ele como o líder delas, e a ilimitada floresta foi preenchida com os gritos deles. E então te saúdo, Dionísio, deus das abundantes aglomerações! Conceda que possamos vir novamente nos regozijar com esta estação, e com todas as estações adiante por mais um ano.”

É de fundamental importância que durante todo o trabalho você esteja com o coração e todo seu ser preenchido pelos sentimentos bons que você deseja compartilhar com seus amigos. No fogão coloque uma panela (pode ser qualquer panela, com exceção às panelas de ferro).Dentro da panela despeje o vinho e vá aos poucos colocando as ervas, uma a uma. As ervas de cor verde devem ser postas por último. Enquanto coloca vá mexendo a mistura com uma colher de madeira.Não se deve deixar de mexer. Após cinco ou sete minutos no máximo o vinho está pronto. Coe tudo para retirar a parte sólida das ervas e ponha nos copos para servir ou na garrafa para outras ocasiões. Agradeça a ajuda da deusa e verta para ela uma libação do mesmo vinho , ou de leite. A primeira vez que o vinho for usado, uma parte inicial desse mesmo vinho deve ser dada a ela (um pouco apenas). Pessoalmente , eu prefiro servir o vinho assim que foi terminado de ser feito. Nesse momento sente-se melhor o gosto das ervas, um sabor delicado, apurado. Sente-se o calor da deusa para com os homens no calor do próprio vinho. Os sentimentos estão latentes e tornam-se potencializados. Espero que o vinho seja do agrado de todos, pois em minha prática de magia aprendi que as coisas boas devem ser repassadas aos outros , formando um círculo de boas ações, algo que pode mudar o mundo. Que todos sejam felizes pela chama do fogo ancestral. “Ut dictum est, sic statim Fiat”!

Hino ao deus Invisível


Plutão  , de cabelos escuros
que vives na morada sombria da noite,
nas entranhas da terra;
tu que agracias os homens com os tesouros do vosso mundo
e os guarda justamente no calor do vosso reino
eu honro à ti , óh deus dos povos já idos.
Tu que governas nas profundezas
junto com a adorada Perséphone

Agracia-me e eu não me esquecerei de ti.

Hino Órfico a Poseidon

 

Escuta-me Óh Posídon de cabeleira molhada pelas ondas salgadas do mar, Posídon, arrastado por rápidos corcéis e empunhando o Teu tridente, Tu que habitas sempre as imensas profundesas do mar, Rei das ondas, Tu que comprimes a terra contra as tuas águas tumultuosas, Tu que atiras longe a espuma e que conduzes através das ondas a tua quadriga , deus cerúleo, a quem a sorte assegurou o Império dos Mares, tu que amas o rebanho armado de escamas e as águas salgadas Oceano, detém-te nas margens da terra, dá um bom sopro aos navios e acrescenta , para nós, a paz , a salvação e as dádivas douradas da riqueza.

Oráculo Apolíeneo

Construção em papel

Construção em argila

Deuses e Serpentes

O  SIMBOLISMO DA SERPENTE NO POLITEÍSMO HELÊNICO

 

 

Você tem medo de cobra? Talvez você não tenha reparado, mas a figura da serpente está presente no culto à vários deuses. Quando você parar pra pensar nisso , provavelmente se lembrará da figura de Apollon, certo? Mas não é só o deus iluminado que tem a serpente como atributo. Hermes, Deméter, e até mesmo Atena e Asclépio têm a serpente como símbolo e animal sagrado. Deuses diferentes, com atributos e dons tão díspares mas com um símbolo comum. O que será que a serpente significa ?
O medo e o asco com relação às cobras não e algo natural. Na linha de tempo da humanidade, apareceu junto com o Cristianismo e suas interpretações para a gênese do mal na serpente que tentou Eva, a segunda mulher de Adão; segundo alguns a serpente é a própria Lilith, mulher primeira do mesmo Adão, segundo os evangelhos apócrifos. Antes da Idade Média e a perseguição aos cultos pagãos e politeístas de forma geral, a serpente não era vista tal como é: temida e ameaçadora. Era uma animal de grande poder e simbolismo. Provas disso podem ser atestadas quando se observa as obras e simbolismos das tradições Xamãs e Alquimistas.
Nos tempos pré-helênicos, a serpente era representada fundamentalmente na figura de deusa Python. Python, a grande serpente era filha da Terra sem pai. A sua representação mais conhecida está no mito do nascimento de Ártemis e Apollon. Python simbolizava o aspecto profético presente do Oráculo de Delfos, até então controlado pelas Pithonisas, as sacerdotisas do Santuário; mesmo após o santuário ser invadido pelos Sacerdotes de Apollon, as Pitonisas continuaram como sendo as donas do santuário, que agora pertencia à Apollon Puthios (ou Pythian,que significa assassino de Python). Por que Apollon matou Python todos sabem. Mas o fato fundamental aqui é o simbolismo dessa antiga deusa. Python nascera após o Dilúvio, da lama da Terra. Como tal vivia sob a terra e portanto conhecia todos os segredos da Terra. Segundo alguns historiadores , as Pitonisas recebiam o oráculo pela inalação de odores que vinham das entranhas da terra e que deixavam a Sacerdotisa em estado alterado de consciência. Era durante esse estado que as mensagens eram recebidas.
As representações e cultos mais antigas referentes às Serpentes e os deuses que a têm como símbolos, remotam a região agrária. Basta lembrar que é a serpente que come os ratos , praga das plantações de milho. Não é mesmo? Aqui reparece a figura de Apollon, o guardião das safras. As serptentes são répteis rastejantes ,até aqui nenhuma novidade, certo? Mas o que simboliza mesmo a terra , Géia ,qual seu simbolismo? Segundo Demócrito ,o primeiro filósofo a estabelecer uma divisão dos elemtentos , a terra é o elemento denso, é a matriz de todas as forças da natureza e também é o resultado da soma de todas as forças da naureza. Como elemento fixo e denso é de onde vieram todas as coisas, mas também é o resultado de todas as ciosas juntas. A terra é o arcano da sabedoria ancestral, do conhecimento psíquico e do auto-entendimento. É o incosnciente escondido em nossas mínimas ações. Onde vivia Python ? Nas profundezas! Coincidência ?Não. A comparação a analogia é a base do pensamento organizado.
Deméter, Cibele, Réia e Géia têm a serpente como símbolo. Ela é por excelência o glifo mais coerente com as forças da terra, pois abarca em si todas a potências. Não vê, assim como a terra, não sente cheiro ,mas têm em si as forças vitais que fazem com que se possa ouvir e sentir o cheiro. Em Deméter , a serpente afigura o dominio da terra, a capacidade de manipular as coisas para o benefício de um número: a transmutação. Da mesma forma pode-se interpretar a serpente em Cibele e Réia. Em Géia serpente é afigura que guarda em si os filhos em crescimento, para protegê-los do mundo e logo após os devolver fortes e imponentes sobre a sua própria superfície, assim como algumas espécies de serpentes que são
ovovivíparas e retém os ovos dentro dos seus corpos até estes se encontrarem prestes a eclodir.
Na tradição xamã, a cobra/serpente tem uma vasta gama de simbolismo. Pode significar desde a sensualidade até a cura. Apollon tem a serpente como símbolo de força , sabedoria e superação, e Asclépio , seu filho , que interessara-Se pelos dons da cura após ver uma serpente se regenerando após ter sido morta pelo mesmo, então pegou-a e fixou-a em seu bastão , que então tornou-se seu símbolo, a cura e de regeneração. Ao se falar nas serpentes de Asclépio, não esqueçamos também o divino caduceu de Hermes , que a propósito , foi-Lhe dado pelo próprio Apollon.
Diferente do Caduceu , o Bordão de Asclépio apresenta apenas uma serpente. O Bordão de Esculápio simboliza as artes curativas, combinando a serpente, cuja mudança da
pele é símbolo de renascimento e fertilidade, com o bastão, símbolo da autoridade digna do Deus da Medicina. O caduceu aprensenta duas serpentes. Tais serptentes representam os pilares cósmicos do universo e portanto forças complementares (daí as serpentes se enroscarem ao longo do caduceu). As duas serpentes de seu caduceu eram a Agathe Tyche e o Agathos Daimon, a boa Fortuna e o bom Espírito Na tradição Alquímica, ambas as serpentes representam o aspecto e a polaridade feminina do universo , com sua energia fértil e maternal, a passo que príncipio masculino é simbolizado pelo bastão , o poder viril e fecundador, vivificante. O arauto dos deuses por diversas vezes aparece como apaziguador de desavenças. Na Índia, as duas serpentes representam as ascenção da Kundalini. Hoje o caduceu é o símbolo das ciências contábeis, e Hermes não é justamente o deus do comércio e dos ladrões (não foi ironia, apenas uma observação). Hermes tem a serpente como símbolo do equilíbrio e das pontências opostas do universo , que ele apazigua por vezes. É o caminho do meio, o destino. O carro no tarô de Marselha.
Mas, e Atená ? A serpente te Atená pode parecer óbvio, símboliza a sabedoria,certo? Não exatamente. Como já se foi dito , as serptentes se relacionam ao elemento Terra porém , Atená não está sob seus auspício , e sim no ar. Em Atená , a serptente afigura a habilidade, assim como Hermes de conduzir as estratégias de forma sábia, para se chegar sempre ao sucesso (não exatamente na vitória ,por vezes). É a artimanha, a destreza do pensamento organizado e inteligente. A defesa, pois assim como a deusa, as cobras apenas defendem a si mesmas e a seu território.
Não se pode esqucer Dioniso. Serpente = Dioniso = sexualidade, certo? É.. talvez sim, mas não exatamente. Dioniso é o deus da transmutação ,da evolução. A serpente, no culto à Dioniso é símbolo é a somatória de todos os significados precessores. É a cura , regeneração e transmutações, pois ele é o duas vezes nascido; é a sexaulidade e a fertilidade, pois a ligação dEle com tais aspectos é inegável. É a sabedoria e o equilíbrio ,pois é a síntese fundamental das polaridades da natureza.
Talvez ao fim desse texto você ainda tenha medo de cobras. É compreensível; também tenho. Mas ao menos as verá sob uma nova forma, mais respeitosa e consciente. Mesmo que não goste das sujeitas , as respeite como qualquer ser da natureza, afinal .. nunca se sabe , não é mesmo ??
Fiquem na paz dos deuses.

 

- Thiago Oliveira 

 

 

Festas em honra à Dioniso

Dionísias Rurais – Celebravam-se no mês Posídon, o que corresponde, mais ou menos, à segunda metade de dezembro. São as mais antigas das festas áticas de Dionisio, mas pouco se sabe, até o momento, a respeito das mesmas. Realizavam-se apenas nos “demos”, isto é, nos burgos da Ática, dependendo o brilho de tais festejos dos recursos de cada um dos cem demos que constituíam a terra de Platão. A cerimônia central consistia num kômos, quer dizer, aqui no caso, numa alegre e barulhenta procissão com danças e cantos, em que se escoltava um enorme falo. Os participantes dessa ruidosa falofória cobriam o rosto com máscaras ou disfarçavam-se em animais, o que mostra tratar-se de um sortilégio para provocar a fertilidade dos campos e dos lares. Aristófanes, em sua comédia engraçadíssima, Os Acarneus, nos deixou uma caricatura memorável dessas comemorações. Claro que tanto a falofória quanto os demais ritos das Dionísias Rurais precederam ao filho de Sêmele, mas este os incorporou integralmente, fazendo que se lhes esquecesse a idade milenar.

A partir do século V a.e.c., no entanto, as Dionísias Rurais foram enriquecidas com concursos de tragédias e comédias. Inscrições recentes provam que em muitos demos havia bons teatros, sobretudo no Pireu, Salamina, Elêusis, Flia, Muníquia e Tórico.

Lenéias – Eram celebradas em pleno inverno, no mês Gamélion, correspondente aos fins de janeiro e inícios de fevereiro, mas pouco se conhece também acerca dessa festa muito antiga do deus do vinho. O nome Lenéias, em grego (Lénaia), é uma abreviatura já comum em Atenas, pois que a designação oficial da festa era Dionisio do Lénaion, isto é, cerimônias religiosas dionisíacas que se realizavam no Lénaion, local onde se erguia o mais antigo templo do deus e, mais tarde também, um teatro. Segundo os arqueólogos que se têm ocupado da topografia da Atenas antiga, esse espaço consagrado ao deus do êxtase e do entusiasmo talvez se localizasse ou nas vizinhanças da antiga Ágora e da rampa que levava à Acrópole ou, ao contrário, na outra extremidade da rocha, que sustém a Acrópole, isto é, aos pés de sua fachada oeste. Se ainda se discute acerca da localização do Lénaion, nada de muito concreto existe a respeito de sua etimologia. A fonte tradicional de (Lénaion) é (Lenós), “largar”, quer dizer, “tanque ou instalação, onde se espremiam as uvas para fabrico do vinho novo”, mas a aproximação é de cunho popular.

Dionísias Urbanas – Celebravam-se na primavera, no mês Elafebólion, fins de março, e a elas acorriam todo o mundo grego e embaixadores estrangeiros. Duravam Seis dias. O primeiro era consagrado a uma majestosa procissão, de que a cidade inteira participava. Nessa procissão transportava-se a estátua do deus do Teatro, de seu templo, no sopé da Acrópole, até um templo arcaico de Baco, perto da Academia, de onde o ícone era solenemente levado e colocado, por fim, na Orquestra do Teatro, que, até hoje, tem o nome do deus e que fica ao lado do santuário, de onde a estátua fora retirada. Nos dois dias seguintes realizavam-se os concursos de dez Coros Ditirâmbicos, que com seus cinquenta executantes cada um, dançavam em torno do altar de Dionisio, na Orquestra. Os concursos dramáticos ocupavam os três últimos dias. Sendo três os poetas trágicos admitidos em concurso, reprsentava-se cada manhã a obra inteira de cada um deles, a saber, via de regra, no século V a.e.c. uma tetralogia: três tragédias (de assunto correlato ou não), seguidas de um drama satírico.
Anthestéria – “A Festa das Flores”, que se celebravam nos dias 11, 12, e 13 do mês antestérion, fins de fevereiro, inícios de março. Trata-se, como o próprio nome expressa, de uma festa primaveril, em que se aguardava, portanto, a nova brotação, o rejuvenescimento da natureza.

Embora nessas festas Dionísio imperasse inteiro, havendo por conseguinte, a quebra de todos os interditos, o Estado sempre os tolerou, uma vez que toda ruptura com tabus de ordem política, social e sexual visava não apenas à imprescindível fecundidade e à fertilidade, mas era algo que atingia tão-somente o mundo da sensibilidade, sem chegar à reflexão, como na tragédia.

O primeiro dia das Antestérias denominava-se (Pithoiguía), vocábulo proveniente de píthos, “tonel”, e oignýnai, “abrir”: abriam-se os tonéis de terracota, em que se guardava o vinho da colheita do outono, e transportavam-nos até um Santuário de Dionísio no Lénaion, que só se abria por ocasião dessas festas da primavera. Dessacralizava-se o vinho novo, quer dizer, levantava-se o tabu que ainda pesava sobre a colheita anterior e, após uma libação a Dionisio pela boa safra, dava-se início à bebedeira sagrada. Possivelmente, como nas Dionísias Rurais e nas Lenéias, uma das características fundamentais de Dionisio, “deus do povo”, é sua universalidade social.

O segundo dia chamava-se (khóes), de (khóos), cântaro, cuja fonte é o verbo (khéein), “derramar”. Era o dia consagrado ao concurso dos beberrões. Vencedor era aquele que esvaziasse o cântaro (três litros e um quarto) mais rapidamente. O prêmio era uma coroa de folhagens e um odre de vinho. Nesse mesmo dia, em que se celebravam as khóes, organizava-se uma solene e ruidosa procissão para comemorar a chegada do deus à polis. Mas, como Dionisio está ligado, ao elemento úmido, por ser uma divindade da vegetação, supunha-se que ele houvesse chegado a Atenas, vindo do mar. É, por esse motivo, que integrava o cortejo uma embarcação, que deslizava sobre quatro rodas d euma carroça, puxada por dois Sátiros.

Na embarcação via-se o deus do êxtase, empunhando uma videira, ladeado por dois Sátiros nus, tocando flauta. Um touro, destinado ao sacrifício, acompanhava o barulhento cortejo, cujos componentes, provavelmente disfarçados em Sátiros e usando máscaras, cantavam e dançavam ao som da flauta. Quando a procissão chegava ao santuário do deus, no Lénaion, havia cerimônias várias, de que participavam a (Basílinna), isto é, a esposa do Arconte Rei e catorze damas de honra. A partir desse momento, a Basílinna, a Raiinha, herdeira da antiga reinha dos primeiros tempos da cidade, era considerada esposa de Dionisio, certamente representado por um sacerdote com máscara. Subia para junto dele na embarcação e novo corjeto, agora de caráter nupcial, conduzia o casal para (bukoleîon), etimologicamente, “estábulo de bois”, mas, na realidade, uma antiga residência real na parte baixa da cidade. Ali se consumava o hieròs gámos, o casamento sagrado entre o “deus” e a rainha, conforme atesta Aristóteles, Constituição de Atenas. Observe-se que o local escolhido, o Bucolion, atesta que a hierofania taurina de Dionisio era ainda um fato comum. De outro lado, sendo a união consumada na residência real e apresentando-se Dionisio como rei, o deus estava exatamentet exercendo a função sagrada da fecundação. Essa hierogamia era, na realidade, o símbolo do casamento, da união do deus com a pólis inteira, com todas as consequencias que daí poderiam advir.

O terceiro dia intitulava-se (khýtroi), “vasos de terracota, marmitas”, cuja fonte é ainda o verbo (khéein), “derramar”. Chegada a noite, todos gritavam: “Retirai-vos, Queres, as Antestérias terminaram”.

 

- Texto gentilmente cedido por Odsson Ferreira

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